quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Selinho

Oi, meninas!! Tô em ritmo  frenético e com a sensação de que , algum momento, vou pifar,mas passei aqui rapidinho.

O blog ganhou um selinho da Larissa, dona do fofíssimo Pão e Tulipas. Obrigada, Larissa!

Com selo, vieram as tarefas:
1- relacionar 03 livros que me marcaram:
Canção do Mar, do Pat Conroy.
O Ano da morte de Ricardo Reis, do Saramago
O Evangelho segundo Jesus Cristo, também do Saramago.

Difcil escolher só esses três...


2- indicar 05 amigos para que seja repassado.
Ah, tem mesmo de escolher?
Coisas Minhas
Laís Doce
Livros, Bobagens e Guloseimas
Confissões de CM
Infinito Particular

Em breve, posto capítulo.

Beijos

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Conversa fiada

Olá, meninas!


Tentei, tentei dormir, mas nada. Então parei de contar carneirinho e entrei na net. Fuxicando aqui e ali , achei um blog delicioso: Livros, bobagens e Guloseimas. Cheguei até ele porque a dona tá seguindo o Historinhas. Morri de inveja do visual da página. Lindinho.

Outro blog muito fofo é o da Cíntia Mara, também “seguidora” do Historinhas. Ela escreve de um jeito que parece que a conhecemos há séculos.

Já que é pra fazer propagando de blog legal, então façamos direito. Leio todos os blogs cujos links estão aí do lado e adoro. Deem uma olhadinha especial no Sem Pretensões, que é da minha amiga de quem sempre falo aqui, a Jaqueline.



Aproveito também para postar o selinho que Cíntia deu para o Historinhas. Obrigada, minha linda!!









Ah, do Livro, Bobagens e Guloseimas peguei um joguinho singelo ,mas legal. Se alguém quiser passar adiante, fique à vontade:



Eu já vi o mundo de cabeça pra baixo. Adoradora de montanhas russas!!!

Eu nunca vou dizer por aí que nunca farei alguma coisa. A gente nunca sabe...

Eu sei que nunca, nunca estou sozinha

Eu quero continuar a buscar o que for melhor pra mim

Eu sonho os sonhos mais bizarros do mundo. Meu inconsciente adora se manifestar do modo mais cinematográfico do mundo.





Ah, ah, estou aqui ouvindo umas músicas que um amigo de bom gosto baixou pra mim. Tô começando a montar a trilha sonora da nossa historinha. Já achei uma música perfeita pra Lílian. Quando descobrir como se posta som no blog, mostro pra vcs..





Prometo que o próximo post será o capítulo 23!!rsrsrs



Mil beijos açucarados,

Ju

domingo, 29 de novembro de 2009

Selinho

Oba! O blog ganhou um selinho. Já havia ganho antes,mas eu nunca que colocava aqui.

Quem nos deu o selo foi a Laís, a moderadora da comunidade Série Katie cujo blog tem um link aqui do lado. Obrigada, Laís!!



Com o selo, ganhei tarefas:

1- Indicar nove blogs para ganhar o selinho:

Indico os blogs que acompanho e que estão listados na seção “ A vizinhaça” mais o blog da Amanda e da Daiane, cujo link sempre esqueço de colocar aqui no Historinhas.



2- Indicar nove características minhas:

Chiliquenta, inquieta, animada, debochada, preguiçosa, volúvel, competitiva, cheia de manias, obcecada por livros.



3- Indicar seu doce favorito:

Xiii! Não como doce. Bem, quer dizer, eu como chocolate,mas considero essa dádiva, essa maravilha um alimento pertencente a uma categoria própria.



Não, ainda não é o 23

Oi, meninas! Entrei no blog com o objetivo de dar uma relida na história e vou aproveitando para dar um oi. Estou começando a escrever o capítulo 23 e é bom dar uma olhada no que foi escrito antes para que eu não caia em contradição.


Vocês não têm ideia do quanto é estranho reler os capítulos. Às vezes, dá impressão de que não fui eu quem escreveu, especialmente os primeiros, que foram escritos há muito tempo. Além disso, alguns personagens e situações saíram completamente do meu controle. Pedro e Lílian, por exemplo, ganharam mais importância do que eu pretendia. E , ao que parece, ganharam não só o meu afeto como o de vocês.

Lílian foi concebida como o estereótipo da melhor amiga da mocinha. Elas são sempre animadas, divertidas e determinadas a arranjar um namorado para a protagonista. Lílian é assim, mas parece ter um algo mais. Talvez por a conhecermos através do olhar carinhoso de Amanda, Lílian pareça uma fofa, um doce de pessoa. Mas acho que o que faz com que ela seja tão legal e tão interessante é sua história de amor com Pedro.

Engraçado é que não planejei nada a respeito deles, nem sei muito bem o que aconteceu com eles no passado. Tudo foi sendo construído através das falas da personagem mesmo. E o que Lílian diz sobre si e de Pedro nos dá uma ideia de um amor daqueles doidos ,mas sem limites. Penso neles como aqueles casais que são capazes de enlouquecer um ao outro, mas que não se desgrudam de jeito nenhum. Feitos um para o outro.

Já o Pedro existe porque quis que Amanda tivesse um irmão. Ele é exatamente o irmão que eu gostaria de ter. Acreditem ou não, sendo filha única, passei parte da minha vida desejando ter um irmão mais velho. Nada mais natural que dar um irmão para mocinha da história que estou escrevendo. Rsrsrs Devo confessar que quase gosto mais dele do que de Fernando. Pedro é mais “ gente como a gente”. Acho que por ele não ser o príncipe da história, me sinto mais à vontade pra mostrar as fraquezas dele. Claro, sem deixar de mostrar o quanto ele é um “ fofo”, meio durão, mas um fofo.

Uma outra mudança que ocorreu tem a ver com Amanda. Se bem que acho o mudou de fato foi meu olhar sobre ela. Quando a Jaqueline sugeriu que eu fizesse o blog, um dos meus argumentos contra foi a certeza que eu tinha de que Amanda era igualzinha a mim e que isso era perfeitamente perceptível. A Jackie – boa embromadora como só ela sabe ser- me convenceu de que , embora houvesse um certo “ eco” meu no discurso da Amanda, não havia grandes semelhanças entre nós. Bem, até hoje não me convenci muito disso, mas tudo bem. O que fiz foi relaxar quanto a isso. Se eu fosse uma escritora de verdade, saberia como construir melhor os personagens. Mas como não sou, deixa a Amanda ser parecida comigo ...rsrsrsrsrsrsrs

Fato é que a Amanda ficou menos reclamona e irônica com o passar do tempo. Ela foi se “ açucarando aos poucos”! rsrs Também com um namorado como Fernando não teria cabimento se ela só reclamasse da vida...rsrs Pois bem, vamos ao Fernando! Esse moço é pedra na minha chuteira. Parte da minha demora pra escrever se deve ao fato de , em tempos em tempos, eu ter uma crise de criatividade em relação a ele. Esse homem não existe, meu Pai!

Deixe-me explicar melhor: como amadora que sou, não sei muito inventar os personagens e as situações que eles vivem. Tudo o que vcs leem aqui é emprestado de várias pessoas que conheço, de histórias que ouvi, de situações que vivi. Beleza! Mas o que fazer em relação a Fernando, essa criatura tão perfeita que só falta voar e não tem clones seus andando por aí?Resultado: Fernando praticamente é todo concebido pela Jaqueline. Ela vive defendendo o rapaz. Diz que ele é crível , que conhece um cara feito ele, que ele nem é tão perfeito assim... Não contrario!!rsrs Deixo que ela me diga como ele deve agir. Minhas crises em relação a Fernando costumam render horas ao telefone. Minha vó até já me perguntou se esse tal de Fernando é namorado da Jackie!!rsrsr Antes fosse, né!!

Caramba! Escrevi à beça e não disse o que pretendia. Eu ia dizer pra Cíntia que gostei de saber que ela vai escrever também. Apoio totalmente! É muito divertido e ajuda a gente esquecer um pouco o estresse da vida real. Ah, eu também sou uma romântica idealizadora, mas adoro uma história de amor que não dá certo... Bem sádico da minha parte!!!rsrsrs Dor de cotovelo é bonito e inspirador, quando não é com a gente.

Só mais uma coisinha: Eu, eu , eu , a Marta reapareceu!! Rsrs Péssimo, né! Mas só pra celebrar o comentário da Martinha.



Beijos de esmagar bochecha,

Ju





P.S.: Existe um seguidor do blog cuja identidade está oculta. Ei, vc, pessoa oculta, mate minha curiosidade e revele sua identidade.rsrsrsrs

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capítulo 22


Capítulo 22




Para Jaqueline:

Conforme o combinado, aí vai um capítulo fresquinho, para que você

deguste antes de viver mais um episódio do seu “Grey´s Anatomy

particular”. Agora, você tem que me prometer que não vai mais desejar

que a sua vida tenha mais emoção e aventura, porque já sabemos que

seus pedidos são sempre atendidos e eu não tenho lá muito talento para

se coadjuvante em histórias dramáticas... A não ser que vc esteja

reservando um Alex Karev de presente pra mim. rsrsrs I’ ll be there

for you sempre, amiga!







Dia seguinte



Quando saí para a faculdade, nem Pedro nem Débora tinham acordado. Às

terças, meu irmão entrava mais tarde na aula. Deixei um recado pra ele

na porta da geladeira, avisando que Débora estava dormindo no meu

quarto.

Minha manhã passou bem rápida e sem atropelos. Duas aulas meio chatas,

mais uma imensidão de textos pra ler, muito dinheiro gasto com xerox.

Nada de novo. Fernando me ligou rapidinho no intervalo entre as aulas

dele. Tava andando, falando e carregando um monte de livros. Foi o que

ele me disse, enquanto eu esperava Lílian na entrada do Instituto de

História. Ficamos combinados assim: ele passaria no museu na hora da

minha saída e acharíamos um lugar pra comer e conversar. É, a gente

ainda tinha que conversar. Eu não sabia muito bem o que falaria. Quem

sabe recorrer à desculpa dos hormônios da minha mãe fosse uma boa...

De qualquer modo, não fiquei pensando muito nisso, porque Lílian

finalmente apareceu. Vinha toda animada e saltitante.

- Pensei que fossem ficar em Araras de vez.

Lílian me deu um beijinho na bochecha e fomos andando em direção à

Lanchonete da Sara.

- Bem que eu queria. Se não fosse causar tanto problema, eu teria

ficado por lá até o fim da semana. Foi maravilhoso!

- Pela sua cara, imagino o quanto.

- Ah, Amanda! Acho que vou pedir o Pedro em casamento.

Dei uma risada. Sabia que ela estava brincando.

- A gente larga tudo, casa e vai viver de amor numa casinha na beira

da praia. Será que ele topa?

- Duvido. Pedro é sensato o suficiente por vocês dois. Ele diria que

antes vocês têm que pensar na desculpa que vão dar no estágio por

terem faltado ontem.

Ela riu.

- Isso já tá resolvido, pelo menos pro Pedro. O supervisor dele não

reclamou nem fez perguntas ,quando ele ligou avisando que não poderia

ir. Já pra mim, a situação tá mais difícil. Eu nem tinha acordado na

segunda de manhã e já estavam me ligando. Minha chefe precisava de um

papel que eu tinha levado pra casa. Foi uma confusão. Inventei que

tinha havido um problema no carro e que não tinha conseguido voltar

pra Lagos. Tive de pedir à Isa que levasse o documento até a empresa.

Foi tenso...- Ela passou a mão no cabelo – Mas nada tão tenso que

pudesse estragar meu fim de semana maravilhoso.Fomos a vários lugares

lindos. – Lílian continuou. – E comi tanto que acho que vou passar

uma semana só comendo alface.

- Vai virar coelho?

- Não vou, mas deveria. Comemos todos os dias num restaurante de

massas que abriu na esquina de casa. Eu tinha esquecido de que Pedro

gostava tanto de lasanha.

Chegamos na Lanchonete e sentamos. Leandro, o ajudante da Sara, veio

saber o que a gente queria. Lílian pediu um enorme copo de morango ao

leite. Era assim que ela pretendia compensar o monte de carboidrato

que tinha consumido no fim de semana. Eu preferi um suquinho de

laranja.

- Ai, Amanda!- Lílian suspirou, assim que Leandro saiu. - Foi tão

perfeito! Parece que eu tô sonhando... Num dia, nem falo com Pedro

e, no outro, a gente tá junto de novo...

- É incrível mesmo!

- Eu tinha me esquecido de como era bom ter o Pedro por perto, de como

a gente se dá bem... – Ela sorriu, os olhos brilhando. Senti que eu

tava começando a ficar contagiada pela alegria de Lílian. – Ah, foi

maravilhoso!

- Acho que é a vigésima vez que você diz a palavra “maravilhoso”. Só

não vou pedir detalhes, porque os detalhes envolvem o meu irmão,

então...

Lílian riu.

- E o seu fim de semana? Sobreviveu bem sem nós?

- Mais ou menos? O quanto de drama você suporta já de manhã?

Lílian franziu a sobrancelha.

- Aconteceu alguma coisa séria?

- Não. Tô brincando.

- Ah, Amanda. Fala logo!

Relatei os acontecimentos do fim de semana, inclusive a visita de

Débora. Falei tudo de uma vez. Só fiz uma pausa, quando nossos sucos

chegaram. Lílian me ouviu atentamente.

- Sei que eu não tenho nenhuma moral pra te dizer isso,mas você fez

uma tempestade num copo d´água. – disse ela gentilmente , assim que

terminei de falar.

- Eu sei!

- Acho que também ficaria irritada nessa situação. Quer dizer, eu fico

irritada até por muito menos. Mas o Fernando realmente não tava

criticando o Pedro.

- É. Eu sei. No fim, misturei tudo. Ainda não digeri direito essa

história da Elisa e do Pedro...

- Por quê? Nem eu fiquei aborrecida.

- Mas eu fiquei... Sei lá! Acho que não gosto muito da Elisa.

- E aí, chega na casa do Fernando, doida pra ter um pouco de paz, e

encontra um monte de gente e inclusive ela...

- O que mais me irritou foi que eu não pude contar sobre vc e o Pedro

pro Fernando. Eu tava feliz por isso. E ela já tinha falado, do ponto

de vista dela.Não que eu ache que ele tenha baseado a opinião dele

nesse ponto de vista,mas, ao mesmo tempo, foi o que pareceu.

- O Fernando não é o tipo de cara que se deixa levar pela cabeça dos

outros. Mas e agora? Já tá tudo bem?

- Já. Só não conseguimos conversar ainda. A gente ia se ver ontem, mas

a Débora chegou. Deixamos pra hoje.

- Afinal, o que aconteceu pra Débora aparecer por aqui, assim tão de repente?

- É uma história longa. Depois te conto.

- Até quando ela vai ficar com vcs?

- Acho que até amanhã. Não sei ao certo.

- Vou passar na sua casa mais tarde pra vê-la.

- Ela vai gostar. Ficou toda animada em ter você de volta na família.

Lílian tomou um gole de seu suco.

- Por falar nisso, meu pai já sabe de mim e do Pedro. Ele falou comigo

hoje de manhã. Disse que tava feliz por mim, que gostava muito do

Pedro e que eu deveria levá-lo pra jantar lá em casa um dia desses.

Vamos ter todas as formalidades novamente! Queria saber em que século

meu pai vive?

- Ele não é tão careta assim, senão você não teria ido pra Araras...

- Tem razão, mas já tô até vendo meu pai falando para Pedro que “faz

gosto” do nosso namoro. – Lílian disse muito debochadamente.

Eu ri.

- Depois se prepare para encarar minha mãe.

- Pode se divertir às minhas custas. Você está convidada pra jantar também.

- Pode deixar que eu vou.- Dei uma olhada no relógio – Tenho que ir, Li.

- Já?

- Preciso passar no mercado e no banco antes de do trabalho.

Terminamos de tomar nossos sucos e fomos cuidar da vida. Lílian ainda

tinha aula e eu precisava checar minha conta corrente e pagar o

cartão de crédito. No banco, tirei um extrato e constatei que o

cheque do aluguel tinha sido compensado. Um alívio! Passei no mercado

e comprei uma porção de coisas de que estava precisando: absorvente,

xampu, hidratante, lenço de papel...

Cheguei ao museu quinze minutinhos antes do horário e encontrei com

Rodrigo na entrada. Ele fazia pós-graduação em História da Arte numa

universidade particular, ali mesmo no Centro, e devia estar chegando

da aula.

- Rodrigo. Rodrigo.

Tive de chamar duas vezes até que ele olhasse para trás.

- Oi, Amanda! Não vi você. Tava distraído. – Retirou os fones do mp3 do ouvido.

Subi os degraus que davam para o hall e parei ao lado dele.

- Tudo bem?

- Tudo. Diz uma coisa, Amanda, você tem o telefone de algum lugar pra

eu pedir comida ?

- A Bianca tem. Ela sempre pede uma quentinha, mas acho que tem que

pedir com antecedência. Por que você não vai rapidinho nesse

restaurante aqui do lado? Eu pego o seu primeiro grupo.

Rodrigo deu um tapinha leve no meu braço

- Poxa, valeu! Não vou demorar.

Ele deu meia volta e saiu apressado. E, de fato, Rodrigo não demorou.

Meia hora depois já estava de volta, trazendo mousse de limão pra mim

e pra Bianca.Maria Emília pareceu nem dar falta dele.

O trabalho correu absolutamente tranquilo durante aquele dia.

Exatamente, às nove horas, fui para sala dos funcionários pegar minhas

coisas. Tirei o celular da mochila. Não havia nenhuma ligação de

Fernando, mas um número desconhecido tinha ligado três vezes.

Retornei as ligações,enquanto colocava a mochila nas costas e me

dirigia para o hall. Ninguém atendeu. Enfiei o telefone no bolso e

caminhei em direção a Fernando , que me esperava sentado no banco

perto da entrada.

- Tá esperando há muito tempo?

Ele se levantou ao me ver.

- Acabei de chegar.- E sorriu.

Eis o meu ponto fraco: aquele sorriso tão aberto, franco e bonito.

Segurei a mão dele e Fernando se curvou para me beijar.

- Aonde a gente vai?- perguntei, enquanto Fernando pegava a mochila,

que estava sobre o banco.

- Não sei. Esperei por você pra decidir.

- Então, já tá decidido. Vamos a qualquer lugar que tenha o que comer.

Tô faminta.

Fernando riu e tirou, de um dos bolsinhos da mochila, uma barrinha de

chocolate.

- É por isso que eu te adoro. – Peguei a barrinha e fui logo abrindo.

- Só por isso, é?

Sacudi a cabeça afirmativamente, enquanto enfiava enorme pedaço do

chocolate na boca. Fernando me olhou, achando graça da minha

esganação.

- Acho melhor andar com um desses sempre na mochila, por precaução...

- Você tá me chamando de gulosa?- Perguntei, ainda terminando de mastigar.

- Não, claro que não! – Ele estendeu a mão e pegou um pedacinho do meu

chocolate.- Você já sabe o que quer comer, gulosa?

Lancei –lhe um olhar fuzilante.

- Engraçadinho.- E acrescentei abandonando o tom de brincadeira: - A

gente pode ir naquele restaurante novo na Praça Central. Tava

querendo comer comida de verdade hoje. A Bianca disse que o peixe

ensopado de lá muito bom.

- Peixe?

- Você não gosta de peixe?

- Não é o meu prato favorito.

Fernando passou o braço pelos meus ombros – driblando minha mochila- e

fomos andando em direção à saída.

- Sério? Eu adoro robalo com leite de coco e batata, sardinha frita,

bacalhau... Ainda bem que não fiz nada disso pra gente almoçar no

domingo. O que mais você não come?

- Não sei... Jiló, quiabo, chuchu, brócolis, pepino...

- Ah, você é igualzinho a Lílian só come pizza e batata –frita... Só

besteira – eu disse, rindo.

- Você tá generalizando. Não é porque não adoro ensopado de jiló com

quiabo que como só bobagens.

- Sei! A única verdura que você deve comer é a folhinha de alface que

vem no hambúrguer.

- Você tá me zoando,né?-

- Claro. Você não me chamou de gulosa? Agora tô me vingando te

chamando de “ menino mimado cheio de frescura pra comer”.

Fernando riu.

- “ Menino mimado cheio de frescura” ?!

- É. Vamos lá, me diz quais são as suas outras restrições alimentares.

Ao longo do caminho até o restaurante, fui descobrindo que minha

constatação era mais que verdadeira: Fernando tinha aversão a quase

todos os legumes e verduras. Não comia frutos do mar, nem partes

menos nobres de boi ( fígado, língua, rabada..). Era engraçado saber

disso porque não imaginava que ele fosse assim tão diferente de mim.

Na minha família, esse tipo de prato era mais que bem-vindo. Adorava

quando ia visitar meus pais e minha mãe fazia polenta e galinha

ensopada com jiló.

A conversa sobre comida durou até que nossos pedidos chegassem: peixe

ensopado pra mim e bife com batata gratinada pra ele.

- Seus exames ficaram prontos?

- Ficaram. Peguei hoje à tarde.

- Você abriu?

- Abri. Não vi nada de anormal. Quer dizer, nada que um leigo pudesse

identificar como anormal. Essa febre deve ter sido mesmo uma virose

mesmo ou uma queda na imunidade. Vou no Dr. Luiz amanhã.- ele fez uma

pausa – Mudando de assunto, acabei de lembrar. E a Débora? Você disse

que ela apareceu de surpresa...

- Foi. Ela tava com uns problemas e veio pra cá dar uma descansada.

- Ué, você disse que tinha acontecido uma coisa boa...

- É uma coisa boa ,mas meio problemática. – Dei uma risadinha. Aquilo

tava soando estranho demais. - Olhe, por enquanto, não posso falar

sobre isso, mas não precisa se preocupar.

- Tudo bem.- Fernando concordou, sem entender nada.

Ficamos um tempo comendo em silêncio.

- Fernando.

Ele ergueu os olhos e eu fiquei absolutamente sem jeito. Ele me olhou

atento, os cílios piscando suaves, como se eu fosse uma cena de um

filme interessante.

- Hum...Eu queria pedir desculpas por domingo. - minha voz saiu mais

baixa do que pretendi. – Eu sei que você não está mais chateado,mas

mesmo assim eu quero me desculpar. Acho que você já teve boa uma

demonstração do quanto eu posso ser brigona às vezes.

A boca do meu namorado se curvou num meio sorriso. Os olhos ainda

piscando daquele modo que fazia um não sei o quê com o meu coração.

- Não vou dizer que não fiquei meio surpreso, mas até que não foi tão

ruim assim conhecer esse seu lado. Agora já estou mais preparado.- Ele

disse num tom meio brincalhão.

- Você ficou muito aborrecido?

- Só um pouco. Na verdade, fiquei sem entender nada.

- E eu fiquei com um pouco de raiva de você. Que foi aquela coisa de

“ me liga quando quiser conversar” ?

- Era o melhor a fazer. Você tava irritada, não queria conversar e eu

não conseguia entender o porquê. Não valia a pena continuar

discutindo.

- Então vai ser sempre assim?

- Assim como?

- Assim. Desse jeito. Se eu disser que não quero falar sobre alguma

coisa, você vai fazer minha vontade e só vai voltar a falar comigo

quando eu quiser?

- Falando desse jeito, parece que não há lógica nenhuma nessa

atitude.- Ele ergueu as sobrancelhas.

- Não, lógico é.- Respondi com suavidade - Só é diferente.

- Diferente bom ou diferente ruim?

Estendi a mão para alcançar a dele.

- Diferente bom, muito bom.- Passei o dedo de leve no dorso da mão

dele. – Tudo em você é muito bom.

Era impressão minha ou, pela primeira vez desde que nos

conhecemos,Fernando tinha ficado sem jeito com algo que eu dizia. Ele

baixou os olhos por dois segundos, para longo em seguida voltar a me

olhar:

- Tudo em você é muito bom também.

-















Depois de ler:



Oi, meninas queridas!!!! Tardo,mas não falho. Acho que vou adotar essa

frase como meu bordão...rsrs Cozinhei, cozinhei o capítulo 22 e enfim

consegui terminar.

Dessa vez, não vou dizer que demorei por conta do tempo escasso ou de

falta de inspiração. Esse capítulo meio que ficou “ entalado” na minha

cabeça.



Ultimamente tenho andado meio realista, com dificuldades para

fantasiar. E essa historinha nada mais é que uma fantasia, como todas

as histórias de amor de que gostamos são. Tenho pensando muito nas

histórias de amor verdadeiras e no quanto elas são raras, difíceis e

tão pouco “ açucaradas”. Não vou dizer que estou desiludida, porque

não cheguei a construir ilusão nenhuma. No entanto, o que sinto é

desalento, uma certa desesperança por que parece que o amor,como tudo

nessa vida, é transitório. Talvez o mais adequado fosse dizer os

amores, porque, ao que parece o amor, não é um só. Pelo que vejo a

minha volta, as histórias de amor possíveis são aquelas que nascem

sem pretensões de romance, sem expectativas, que são feitas a cada

dia. Todos os dias um amor novo e renovado, vários amores por uma

pessoa só. Conheço um só casal assim. E homem não tem nada de

perfeito, equilibrado, sóbrio, sutil. E a mulher está longe da

perfeição e da doçura. Mas eles têm é vontade de estar juntos e

brigam por isso.

O que tem me deixado agoniada é que parece que , com exceção desse

casal que conheço e no qual enxergo verdade, todos os outros estão

vivendo ilusões. Se ainda não sabem disso, um dia vão se dar conta. E,

com toda imaturidade do mundo, só consigo pensar que tenho pavor de

amar para um dia deixar de amar.

A sensação de não saber quais são as regras desse jogo e também de

saber que não é possível controlar o desejo me deixa assim, sem

vontade de me deliciar na doce fantasia que são Amanda, Lílian ,Pedro

e , principalmente, Fernando. Como diria Camões ( meninas, vocês têm

que ler os poemas de amor dele!), faltam- me “ saber, engenho e

arte”.





Filosofei barato, né? rssr É isso, meninas! Espero que tenham gostado

do capítulo. Críticas simpáticas, elogios sinceros e revisões

gratuitas são sempre bem –vindos. Adoro saber que você leem a nossa

historinha.



Mil beijos açucarados,



Ju





P.S:Bruninha e Amanda, como sempre digo a vcs: tenham

calma!!rsrs Vou tentar não demorar muito com o próximo capítulo.



Cíntia, é claro, óbvio e evidente que me lembro de você, tradutora da

Série Katie!!rsrs Que bom que você gostou da historinha. Quanto ao

comentário sobre o conto “ Miragem”, devo dizer que tb queria que

Daniel desse um pé na namorada e fosse atrás da Luana, mas tentei

escrever sobre memória e idealização. O tempo deles já passou. Foi só

aquele segundo mesmo, eu acho. Mas todos os meus amigos que leram

disseram o mesmo que vc e a Bruna: eles tinham que ficar juntos e

tal...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma outra historinha

Antes de Ler:

Meninas, este blog tem seu título no plural,mas até agora só há uma historinha açucarada sendo contada. Remexendo nos meus arquivos, me lembrei de um conto que escrevi faz um tempo (uns dois anos, acho) e de que gosto muito. Daí pensei, vou colocar no blog.
Gosto demais desse texto! Foi a primeira coisa que escrevi que saiu exatamente do jeito que eu desejei.( Não que eu escreva muito!) A ideia para o enredo me surgiu de uma situação que vivi. Luana não sou eu ,mas o ponto de partida para o conto é uma emoção minha. Deve ser por isso que acho que ele é tão bonitinho.
Fonte de inspiração também foi a música Cupido, que a minha querida Maria Rita gravou no primeiro cd dela. Deu vontade de mostrar pra vocês porque veio uma ideiazinha para escrever uma continuação.
Enquanto o 22 não vem, compartilho com vocês esse conto de que tanto gosto.
Beijos,
Ju
P.S.: Posso dar duas diquinhas de música e filme bonitos até dizer chega? Filme: 500 Dias com ela - Música: Ter que esperar , das Chicas



Miragem
“ Foi só por um segundo
Todo tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu.”
( Cupido- Cláudio Lins)


Ele a viu primeiro. De início, achou que não podia ser ela aquela garota no meio da pista de dança. É verdade que era a única parada,sem dançar , enquanto todos os outros pareciam enfeitiçados pela música, mas os cabelos, as roupas , a pulseira vermelha não pertenciam a ela , pelo menos não à garota que conhecera anos atrás. A sua garota não brilhava de suor, incandescente e prateada, não tinha aqueles cabelos cheios, não tinha tanto batom nos lábios.
No entanto, quando ela despertou da letargia que a fizera estancar a dança no meio da música e se mover para longe da multidão que se agitava em torno dela, teve a certeza de que só podia ser a sua garota. O inequívoco balançar de quadris que tantas vezes espiara secretamente não deixava que se enganasse. Era a sua Lu. Ela sorria como se uma ideiazinha louca tivesse passado de repente pela cabeça. Os olhos piscavam rápidos e ávidos, exatamente como ele se lembrava de que eram. A pele ainda mais marrom que antes, marcada de sol.
Ele girou o corpo sobre a murada do segundo piso em que se debruçara para acompanhar o trajeto que ela percorria meio ligeira, meio lânguida, ainda sorrindo, sacudindo a cabeça, os cachos do cabelo agitando-se, caindo suavemente no rosto. Ela parou , por fim, diante de uma mesa e curvou-se sobre uma outra garota, que estendeu o braço para recebê-la. Nenhum homem em volta. Apenas garotas suadas e agitadas, porém nenhuma como ela . A sua garota movia o corpo e a boca com suavidade, segredando algo no ouvido da amiga, que parecia deliciada com o que ouvia.Ele quase podia ouvir a voz doce e aguda dela, embora fosse provável que a voz não fosse mais a que conhecia. Ela era uma mulher agora. Ele podia ver. Saltava aos olhos. Os brincos prateados, longos,brilhantes,os cílios alongados, os saltos da sandália, tudo denunciava o fato de que o corpo dela crescera e mudara. Ela agora sabia que era uma mulher.
Mas ele reconhecia naquele corpo a imagem que ficara na sua memória, guardada como que sepultada – não tão sepultada na verdade, porque voltava sempre à superfície de sua mente e ficava por lá,assombrando em sonhos e lembranças. Os óculos , certamente, estavam guardados numa gaveta em casa, entretanto ela carregava nos olhos, sob o rímel e o delineador, a marca de que os usava: franzia , por hábito, a testa , ainda que não estivesse tentando focalizar nada além dos cabelos da amiga ali tão próximos. Mantinha a mão semifechada às costas, sobre o cóccix, exatamente do mesmo modo como fazia depois que terminava os deveres e curvava a cabeça sobre a mesa, fechando os olhos como quem pretende dormir.
Ele sorriu. Era a Luana. Era ela. Quis berrar o nome ou assoviar alto, só para que ela soubesse que ele estava ali, mas conteve o impulso. Júlia, cujos instintos ciumentos eram extremamente eficazes, estava muito perto, fora logo ali falar com uma amiga e já voltava. Além disso, a música estava tão alta que sua voz se perderia em meio aos acordes e notas, às outras vozes do ambiente, à voz dela, que penetrava o ouvido da amiga.
Sentiu –se impotente, bobo, o mesmo garoto que deixara que ela escapasse, quando o ano acabara e ambos mudaram de escola. Devia ter se despedido dela com mais vagar, beijado mais vezes a boca e o rosto dela, todavia algo o impediu. Fez o que menos queria: deixou que ela se fosse achando que não era a única para ele. Ser adolescente fora difícil e talvez nunca se livrasse daquela incapacidade de alcançar outra pessoa, de oferecer a alguém mais que as burocráticas falas e gestos que aprendera a replicar do padrasto, dos irmãos , dos outros meninos.
Ela disse uma última palavra à amiga e ergueu o corpo graciosamente. Estava voltando para o meio da multidão, medindo os passos, girando a cabeça em todas as direções. Foi , então, que seus olhos, quase pretos e brilhantes, deram com os olhos dele, assim ,sem aviso, num estalo mudo.Ela arfou pesadamente e parou o movimento do pescoço numa posição que seria cômica aos olhos de qualquer outro.
Piscou rápido, pálpebras abrindo e fechando. Piscou porque não havia mais nada a fazer senão garantir que o fôlego não faltasse. Ela soube , no primeiro relance, quando identificara um vulto claro e familiar na multidão, que o vira. Apenas afastara a idéia porque não era sensato achar que poderia reconhecer alguém que não via há tanto tempo, que certamente mudara até o ponto de se transformar em um homem totalmente estranho para ela.
Mas ele não mudara tanto assim, afinal. Ela sabia e podia ver. Ele estava mesmo ali, meio corpo pendendo sobre a murada do segundo piso, braços apoiados como os de alguém que se posta à janela para observar a rua, os olhos muito abertos – castanhos como ela lembrava que eram. O rosto avermelhado talvez por efeito das cervejas que tomara, a pele branca e leitosa manchada da luz verde e azul que girava no teto bem acima dele, todo ele parecendo extenuado e um pouco sonolento. Os cabelos já não eram tão curtos quanto na época em que o padrasto – um ex-fuzileiro – os cortava pessoalmente, mas ainda eram castanhos como os olhos e indomáveis, apesar de todo o gel que costumava usar.
Sim, era ele. Daniel. Perdera a conta das vezes em que rabiscara o nome nos cadernos da oitava série, fizera corações em torno e enchera de flores os espaços vazios dentro deles. Mesmo depois, não podia ouvi-lo, ainda que nomeando um outro que não o seu, sem que pensasse na imagem que a ele associara, na ardência que surgia no peito toda vez que via aquele a quem nomeava, na inominável pressão que se avolumava por todo o corpo, por dentro, quando simplesmente pronunciava-o baixinho antes de dormir.
Era ele, mas por um segundo,temeu que fosse uma miragem, um espectro, uma projeção do seu inconsciente, um produto da alta dose de cachaça na caipirinha que bebera. Desejara vezes sem fim ao longo dos últimos anos encontrá-lo,embora não empregasse nenhum esforço na busca. Tão somente desejava que ele surgisse de repente, gracejando bobamente como costumava fazer só para que ela risse ou com rosas nas mãos nos dias em que ela mais se sentira triste. Imaginara muitas vezes, depois de ter feito sexo pela primeira vez, como seria o corpo dele nu e como seria tocá-lo, para logo em seguida, repreender-se, rindo, por pensar em sexo com um adolescente. Porque era esse o corpo que conhecera e não recorrera à imaginação para projetar um corpo adulto, pois correria o risco de mudá-lo ao ponto de obliterar a lembrança que guardava escondida na memória.
Era ele. Anos mais velho, crescido , encorpado, agasalhado por uma jaqueta escura, relógio no pulso, mas era. E a olhava. Sem espanto, sem surpresa, apenas olhava, como se soubesse dela tanto quanto sabia dos navios e do violão que amava, como se soubesse que ela gostava de ser olhada por ele – porque antes ela não deixava que ele a olhasse. Olhava apenas, sem sorrir ou hesitar.Olhava fundo,quieto, mergulhado na certeza do reconhecimento recíproco. Respirava macio,piscava lento. Olhava.
Luana quis murmurar bem baixinho o nome ou erguer a mão num aceno, mas soube que não poderia alcançá-lo lá no alto, não poderia nada além de olhá-lo. Porque, no instante em que quisera tudo isso, uma outra -sem que ele percebesse - enlaçou o dorso do corpo dele com força e sussurrou algo que ele não ouviu bem perto da orelha. Em seguida, forçou passagem entre Daniel e a murada e envolveu com os braços o pescoço dele e o beijou, obrigando-o a fechar os olhos por um segundo.
Foi só um segundo, todo o tempo do mundo,mas todo o encanto se perdeu.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rapidinho...

Oi, meninas! Vim aqui só pra dar uma olhadinha nos capítulos iniciais e desestressar. Já comecei o 22, mas precisei dar uma lida no início da história porque já não me lembrava de quase nada.
Obrigada pelos comentários! Adoro saber que  vocês estão aí!!
Ah, eu vi que tem uma nova carinha entre as pessoas que seguem o blog. Seja bem -vinda, Monalisa!
Amanda e Bruna, tenham calma!!rsrsrs
Beijos grandes.